O artigo desenvolve uma análise crítica e propositiva sobre o impacto da automação inteligente no que tange ao pacto intergeracional que sustenta os sistemas de
segurança social, com ênfase em sua capacidade de gerar desigualdades estruturais.
Parte-se do reconhecimento de que os sistemas de inteligência artificial, ao dependerem da apropriação das habilidades e do conhecimento técnico-científico humanos,
contribuem para a desvalorização do trabalho vivo, a precarização do emprego, a obsolescência de profissões e a concentração de riqueza nas mãos de agentes privados.
Ao substituir o trabalho humano sem mecanismos fiscais compensatórios adequados,
a automação inteligente compromete a base contributiva dos regimes previdenciais e
ameaça a solidariedade entre gerações, especialmente em contextos onde empresas
exploram lacunas fiscais e regulatórias. O artigo defende a necessidade de repensar o
modelo de financiamento da segurança social, propondo a criação de instrumentos fiscais específicos que redistribuam os benefícios do progresso tecnológico e assegurem
justiça intergeracional. O método adotado é o jurídico-propositivo, com abordagem
qualitativa e caráter teórico-aplicado. A pesquisa parte da interpretação de normas,
princípios e institutos jurídicos para, a partir de uma análise crítica dos impactos socioeconômicos da automação inteligente, formular as bases de uma proposta normativa
voltada à instituição de uma contribuição social incidente sobre atividades automatizadas