A migração deixou de ser um problema dos Estados e pas-
sou a ser um tema de interesse da comunidade internacional e, por isso,
sua perspectiva global, que decorre da sociedade de risco e da globali-
zação, deve ser estudada à luz dos standards dos direitos humanos, no
contexto do cosmopolitismo. A cidadania global do imigrante deve ser
consolidada através da perspectiva multicultural e com a prevalência do
direito à diferença. A intensificação dos fluxos migratórios, decorrentes
das violações dos direitos humanos, consigna a relevância do tema, que
se justifica pela necessidade de se refutar a política de securitização das
fronteiras pelos Estados, o que acarreta a desumanização dos imigran-
tes, tratados como grupos minoritários, estranhos e perigosos. Convém
ressaltar, ainda, que o objetivo geral do trabalho é analisar a interseccio-
nalidade entre migração, cidadania e multiculturalismo e, por sua vez,
o objetivo específico é analisar o instituto jurídico da cidadania global
como meio de conferir a capacidade de agir aos imigrantes no contexto
supranacional. Optou-se pelo método dedutivo, com a técnica de docu-
mentação indireta e procedimento de análise doutrinária e legislativa e,
com isso, espera-se alcançar, como resultado, a constatação da ideia de
que a cidadania global suplanta a cidadania nacional e é exercida dentro
de espaços de participação política e democrática que levam em consi-
deração os direitos da personalidade do imigrante, enquanto sujeito de direito internacional. O artigo será composto por três itens, divididos da
seguinte forma: inicialmente, o trabalho analisará a migração em pers-
pectiva global para, depois, adentrar ao estudo da perspectiva multicul-
tural da migração e, por fim, abordará o instituto da cidadania global dos imigrantes em perspectiva multicultural. A finalidade do trabalho é res-
ponder ao seguinte problema: o multiculturalismo é capaz de garantir os
meios de ação ao imigrante para que ele seja efetivamente considerado
um cidadão global?