ELIS REGINA, NECROMANCIA DIGITAL E PRESSUPOSIÇÃO DE NEGATIVA

um estudo do projeto de lei n° 3592/23 em diálogo com a União Europeia
Pedro Odebrecht Khauaja – UFF

Resumo:

O objetivo deste artigo é analisar o Projeto de Lei brasileiro n° 3592/23, em especial o contexto que o motivou, qual seja, a recriação da imagem da cantora Elis Regina via Inteligência Artificial para uso em um comercial de carros, e suas possíveis consequências legais, caso aprovado. Além disso, também se propõe analisar juridicamente o instrumento legal construído por esse projeto e pelas discussões que o circulam, que pode ser chamado de “pressuposição de negativa para o uso da imagem após a morte”, em função das atuais regulamentações sobre herança digital e uso de tecnologias de Inteligência Artificial. Por fim, propõe-se um diálogo entre essa movimentação jurídica brasileira e o atual cenário de regulamentação do tema na União Europeia, focando nas regras de uso de Inteligência Artificial, Direitos Autorais e de Imagem. Para essa pesquisa, foi feito um estudo de caso a partir das respostas institucionais ao comercial que utilizou a imagem de Elis Regina, com apoio nos métodos analíticos hipotético-dedutivos. Depois, realizou-se uma abordagem comparada, com revisão bibliográfica e estudo teórico. O artigo se divide em três partes: primeiro, analisando o fenômeno de “necromancia digital”; seguindo com uma análise do caso modelo; e por último realizando um estudo teórico comparativo, para concluir que esse caso brasileiro oferece uma importante oportunidade de diálogo entre Brasil e União Europeia, possível em função de bases regulatórias comuns no tema, e útil ao propor um novo modelo para se pensar juridicamente o dilema do uso da imagem após a morte dos sujeitos.

ISSN:

2763-8685

DOI:

https://dx.doi.org/10.51799/2763-8685v3n2007

Journal Title:

Revista Latino-americana de Estudos Europeus

Volume:

3

Issue:

2

FirstPage:

213

LastPage:

237

Date:

Palavras-chave:

Inteligência Artificial, Herança Digital, Direitos Autorais